
Não pense que estou insensível aos seus medos, às suas confusões. Eu a entendo. Você pode achar que entre nós há um metrô lotado de inotabilidades, de indiferenças. Sou um igual. Um comum. Não se avexe. Não há motivos. Seu desespero desenfreado é o meu também. Sei bem o que é sentir falta de abraços. O que é passar vergonhas. Já experimentei quase todas: financeiras, morais, sentimentais. É. Investigador? Não sou. Polícia? Nem pensar. E muito menos de OnG alguma. Tarado? Que conversa! Apenas um apreciador. Sim. De coisas esquecidas, de coisas invisíveis, de coisas inclassificáveis. Desclassificada? Desclassificados. É isso que somos. Às pessoas como nós, sempre é reservado um lugar na fila do desprezo. É isso que eu quis dizer. E disse. Perdão. Acordei assim hoje. Decidido a não engulir mais sapos. O ônibus está demorando, não? Fé? Tenho no nosso Senhor. Quer algodão doce? Sem graça. Que nem essa fila. Que nem essa vida. É. É mesmo. Eu gosto. Distrai. E tubaína você gosta? É. Você tem razão: fora de moda.
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