
Na última correspondência ela o tratou carinhosamente pelo epíteto “menino lindo”. A essa altura da vida a frase só podia ser entendida como um mimo. Menino lindo, menino lindo, menino lindo. Aquelas palavras... A mulher só podia estar doida pra proferir tamanha insanidade. Mas ele gostou. Foi um gol salvador no último minuto da partida. Gol de campeão. Riu de si mesmo. Nunca se levou a sério. Riu mais ainda quando se lembrou da dona Marlene, mãe de um amigo – espirituosa –, ela sempre lhe falava: Rapaz, você está uma beleza. Está parecendo um dojão! Como assim, dona Marlene? Um dojão – velho e beberrão. Se você acha que ele ficava puto, esqueça. O cara caía na gargalhada. Dojão, a dona Marlene tem cada uma! Mas palavras grudam na gente. Menino lindo, menino lindo, menino lindo. Dojão, dojão, dojão. Velho e beberrão. Pra comemorar, pegou o seu estilingue de acertar sonhos e começou a caçada, a qual só foi interrompida quando Morfeu lhe convidou a um passeio. Mas só foi depois que tomou o seu leitinho. Isso. O menino lindo com cara de dojão.
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