O peito amanheceu sobreaguado. A noite fora de trovoadas, relâmpagos e muitos medos reais e irreais também. Uma modorra lhe carcomia de dentro pra fora. Estava um farrapo. Sentimentos confusos. A madrugada parecia não ter fim. Não pregou os olhos. Vez ou outra, a luz refletida dos faróis dos carros o despertava. Revirava-se no sofá, babava no sofá, se desesperava no sofá. O sofá era azul. Novamente, silêncio. Sensação de paz. Chovia muito. Adorava dormir ouvindo a chuva, para passar o tempo tentava entender a procedência de cada pingo. Olhos abertos. Levantou-se, abriu a porta da cozinha, foi até a varanda. Ventava. Gostou de refestelar-se no frescor daquele vento. Fechou os olhos, respirou fundo. Fez preces, renovou os votos de vida benfazeja. Antes, porém, de voltar para o sofá azul, os olhos caramelados e tristes da sua cadela o abarcaram em meio aquela noite de trovoadas, relâmpagos e muitos medos reais e irreais.
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Um comentário:
que conflito?
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