
Religiosamente, todas as manhãs, pratico exercícios de esquecimento. Isso ocorre num parque perto de casa. Lá sempre encontro um velho jardineiro – um verdadeiro mestre na arte do esquecimento. O nome dele é Manoel. Um velho negro, risonho e diáfano. Ele ensina às madames queixosas de suas plantinhas “feias”, que as pobrezinhas precisam de conversa, de carinho. Fala que é preciso tirar o pó de cada uma das folhinhas das meninas (meninas, é assim que se refere aos vegetais que tanto o alegram). É preciso dar água pras bichinhas e quando a gente tira o pó, elas respiram melhor e respirando melhor, se alegram e, alegres, ficam mais bonitas. Então cadê a feiúra? Feiúra é não dar carinho a quem precisa. O seu Manoel, com a sua sabedoria de esquecido, diz essas coisas rindo, sem fazer esforço, o seu Manoel é a Natureza se manifestando livremente. Depois do dito, o homem pede licença e vai conversar com as suas meninas. Uma conversa maviosa recheada de pequenos e grandes períodos de esquecimento.
.
Nenhum comentário:
Postar um comentário