
Dizem que desinvento coisas, mas depois as invento novamente. Ninguém acredita em mim. Tem gente que se chateia comigo. Nem adianta pedir desculpas. Falam que não levo as coisas a sério. É verdade. Tenho o mó medo de ser sério. Negócio traumatizante esse. Ser sério. Eu, hein!
Dizem que sou abilolado e quem não é, que atire a primeira pedra. Sou sujeito voador. Voo no vento das boas falas de gente sem eira e nem beira. Gosto de gostar de coisas aladas. Por favor, não me levem a sério: acredito em palavras. A exemplo de Manoel de Barros: gosto de lamber palavras só pra me alucinar depois.
Palavras de jornal não me interessam. Blábláblá sem futuro. Dizem que sou um aluado. Obrigado! Dizem que eu não sou daqui. Não sou mesmo. Gosto de ser de mim. É assim que acho que me acho.
A demais, não tenho motivos pra esse mundo. Esse mundo não é meu. Viajo de borboletas. Costumo não ter costumes, mas adoro quando agosto chega com o canto do sabiá laranjeira.
Sou descoisado das coisas. Só dou valor àquilo que em mim provoca arrepio. As coisas que não passam pelo coração nada me dizem e se dissessem eu não queria saber. Aliás, estou numa fase que quanto menos eu souber, melhor. Confesso, não desejo nada. Vou ao vento, no vento.
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