
Tem gente que gosta de coisas grandiosas, é
um direito. E tem gente que se concentra nas
coisas miúdas, também é um direito.
Passo os meus dias a recolher pequenos silêncios.
Coisas miúdas, desimportantes. Para juntar
reminiscências, dispenso caçamba. Tudo o que recolho
cabe num olhar.
Como aquele velho translúcido, sentado à sombra
de uma árvore. Todas as tardes, ele ficava ali
namorando passarinhos, sonhando formigas,
regozijando flores enquanto ruminava lentamente
o próprio esquecimento.
Pensei:
- Aquele velho também cabe num olhar.
.
2 comentários:
A grandeza cabe na miudeza, como uma luva...
beijos
como uma lua num buraquinho qualquer.
beijão
Paulo Netho
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