06/02/2010

A exemplo do poeta

imagem:vanessalima.arteblog.com.br




Quer coisa mais gostosa? Depois de um dia daqueles, você ao chegar em casa, escancara todas as janelas, desafrocha os apertos, alivia as feições amarradas e, aos poucos, rega a alma. Primeiro, põe uma boa música pra tocar naquele – velho, bom e vital – aparelho de som. Na sequência, observa as coisas como elas realmente são: uma estrela e o seu brilho; um olhar e os seus encantos; crianças brincando inventivas; lagartixas esfregando existência, a noite pedindo molemolência... Aí, naquela rede de desafogos, com uma faca bem afiada, pra não ter erros, você descasca sonhos. Sonhos descascados, é chegada a hora de compartilhá-los com as pessoas queridas. Elas trazem no peito aberto as suas oferendas. Um, uma xícara repleta de chá de esperança, outro, uma bacia – até a boca – de bons motivos. Cada uma à sua maneira. Todas irmanadas, misturadas, iguais e diferentes, diversas e convergentes. Elas se lambuzam com os seus sonhos e você com os sonhos delas. E lá pelas tantas, você as surpreende. Faz como fez o poeta Manoel de Barros: finge que passa a mão no cabelo de Deus e quando o Pai ensgasgar o olhar dele no seu, com a maior cara de pau, a exemplo do poeta, você diz que só queria agradecer.

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