14/01/2010

Crendices



A aula hoje foi bem legal. O assunto foi crendices. Todo mundo tava achando que ia ser o mó chato, mas foi o mó legal. Foi sim. Nem bem a prô começou a falar, o Cadinho já foi levantando a mão e perguntou:
– Prô, é verdade que se a palma da mão esquerda coçar, vou receber dinheiro? E se acontecer o mesmo na mão direita, é sinal que uma visita desconhecida está chegando?
– Ótimo, Cadinho! É um bom exemplo de crendice, disse a professora – Mais alguém se lembra de alguma crendice?

O Gui lembrou-se duma:
– A minha prima Giovanna disse que se alguém quebra um espelho tem sete anos de azar. Eu acho isso a mó mentira dela.

A prô nos contou então que os antigos diziam que ninguém podia se olhar num espelho à luz de velas, mas foi logo interrompida pela Marcela, pelo Nelsinho, e de novo pelo Gui... Todo mundo querendo falar ao mesmo tempo.

Então a Dudinha questionou a prô também:
– A minha mãe sempre diz pra eu não atravessar a rua, se por acaso cruzar com um gato preto pelo caminho.
– Isso surgiu na Idade Média, quando as pessoas acreditavam que os gatos eram bruxas e se transformavam em animais. Por isso, a tradição diz que cruzar com um gato preto é azar na certa, explicou a professora.

– Credo! exclamou o Eliseu – E quando a nossa orelha começa a esquentar será que é por que estão falando da gente?
Nisso a Gabi entrou na conversa:
– A vovó já me falou sobre isso e me explicou que a gente tem de dizer os nomes dos suspeitos até que a nossa orelha pare de arder. Depois, a gente tem de morder o dedinho da mão esquerda e automaticamente quem estiver falando da gente morderá a própria língua.

Só se ouviu suspiros de admiração.

Ao perceber que a nossa curiosidade só aumentava, a prô lembrou que essas coisas, as crendices, não têm base científica nenhuma e é por isso que se chama crendice, ué.

Aí, o Gui levantou a mão novamente:
– Prô, a senhora já matou aranhas, grilos e lagartixas alguma vez?
– Claro que sim, Gui!
– Então, cuidado! – disse o menino.
– Mas com o quê? – insisitiu a professora.
– A senhora pode ter problemas. Está escrito aqui no meu livrinho: “matar uma aranha pode causar infelicidade no amor.”

...

Um comentário:

Anônimo disse...

devo ter matado muitas aranhas...