A primeira vez a gente nunca esquece. O jogo ia ser às 4 da tarde, mas às 8 -em ponto- o Alê já estava de pé. Uniformizado: chuteiras, calção e a camisa listrada número 10 do Peixe. Colocou gel no cabelo e ficou com uma crista de galo, igual a do Neto, seu priminho de 7 anos, que também estava prontinho da silva.
Os meninos estavam impacientes. O pai reclamou do Alê dizendo que faltava muito tempo pro jogo começar. O pai queria dormir. O Alê estava com medo de perder o jogo. Pra alcalmar os ânimos nada melhor do que um pedaço sarado de lasanha que a mãe do Neto preparou.
Vila Belmiro, a casa do Santos, este era o destino. Durante o trajeto, os meninos gritavam: "Santos... Santos... Ô, ô, ô. Quanta alegria! A estrada estava vazia. No máximo em uma hora chegariam ao lendário estádio Urbano Caldeira e à Vila mais famosa do mundo, onde Pelé reinou por muitos anos.
O jogo seria Santos e Santo André; um joguinho de nada para muitos, menos para os primos. O Alê disse que ia guardar o ingresso com muito carinho e o Neto também. Afinal, a primeira vez na Vila, não dá pra esquecer.
Quando os goleiros do time praiano estavam se aquecendo, antes de começar a partida, o Alê e o Neto correram até o alambrado e gritaram: "Douglas", "Felipe"... O Douglas acenou e o Felipe não deu muita bola. Eles acharam o Douglas da hora.
O Santos -numa sonolenta partida- venceu ao Santo André pelo magro placar de 1x0.
Se o resultado não foi assim nenhuma maravilha. Pelo menos, hoje, os primos vão poder dizer aos amiguinhos da escola que viram o Peixe jogando na Vila mais famosa do mundo.
.
Um comentário:
Olha não sou santista mas ficou muito legal o relato...
Postar um comentário