No ano passado conheci o professor universitário, poeta, editor e tradutor, Gabriel Perissé com quem tenho trocado muitas figurinhas e compartilhado alguns sonhos. No sábado passado fomos à sua casa, eu e o Sala, e ganhamos dele o ótimo livro Ler, pensar e escrever, no qual o autor apresenta-nos suas reflexões e experiências no trato com as palavras. Perissé, criou em 1994 o Projeto Literário Mosaico, a primeira ONG literária do país. Pois bem, pesquei do seu livro um poema da Adélia Prado e é com este texto que abrimos esta semana.
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
.
2 comentários:
Amo Adélia e sua simplicidade.
bjs
Que bom gosto!
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