07/04/2009

O flautista e a chuva

Olá, Cara de Pavio!



Os fatos que vou narrar aconteceram num sábado à tarde. A chuva fina mais parecia uma névoa e nem chegava a molhar. As pessoas passavam apressadas pela rua José Cianciarullo até toparem com um homem que tocava uma flauta doce.

Com a mão direita, ele segurava um guarda-chuva preto desgrenhado pelo vento. A mão esquerda apoiava a flauta aos lábios. Na cabeça, uma boina - cinza e puída - como a camisa amarela e a calça de tergal marrom. Aos pés, um chinelinho de dedo da cor verde-água, todo encardido.

Bem à sua frente, uma caixa - vermelha e vazia - de refrigerantes servia como apoio para uma caixinha menor, na qual as pessoas podiam depositar uns trocados. Digamos que não se tratava de um cachê, mas, sim, uma espécie de apoio cultural.

Acho que as mães e os pais que passavam pelo local com os seus filhos, em direção ao calçadão da rua Antonio Agu, se solidarizavam com a força de vontade daquele flautista e contribuíam depositando umas moedinhas.

O flautista - sem tirar a flauta da boca - agradecia a oferenda assoprando-a efusivamente. O som produzido por ele parecia com tudo, menos com música. O segurança do hospital municipal disse que o homem chegou ao local por volta das 9 da manhã e não parou mais.

De fato, o flautista da rua José Cianciarullo mal sabia diferenciar a nota Ré da nota Si. Não que ele devesse saber disso. O que estou dizendo é o seguinte: o som que saía da sua flauta chegava a doer.

Mesmo assim, algumas pessoas contribuíam. Perguntei a uma senhora - que acabara de colocar na caixinha uma nota de um real, o que a motivara a fazer aquela substancial doação. Ela sorriu-me e disse - toda espirituosa - que o seu gesto tratava-se de um incentivo. Era para ver se o moço parava de tocar e ia embora, mas que nada!

A cada troquinho colocado na caixinha, o flautista sentia-se mais motivado e seguia firme e forte em seu ritual. E isso durou até as cinco e meia da tarde, quando despencou uma chuva daquelas!

As pessoas devem ter agradecido aos céus. Eu, porém, fiquei pensando: qual seria a missão daquele flautista da rua José Cianciarullo?

Hãhã, é claro, claríssimo, o pobre homem estava ali chamando chuva.

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3 comentários:

Sabrina Martinelli Anéas disse...

Queriiido,
Preciso de ajuda.
Vc pode me passar nomes de livros pra um garoto de 7 anos que não gosta de ler???
O maior interesse dele são carros... vc me ajuda?
bjks

Felipe Ferraz Costa Silva disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
O Palhaço Cinza disse...

Belíssimo texto, Pauleco!!!

Mas e se chovesse uma chuva de moedas? Para irrigar os sonhos de todos os flautistas de praça e os gaiteiros de vagões de trem.

Grande Abraço!!!