Hoje estivemos em Guarulhos apresentando o Balaio de Dois no Colégio Mater Amabilis. O que seria mais uma apresentação, se revelou um encontro feliz, numa manhã de quinta-feira sem novidades.Logo de início fomos recepcionados pela Cristina que, imediatamente nos colocou em contato com a saltitante e entusiasmada professora Vera, responsável pelo Projeto de Leitura na escola.
Algum tempo depois, já no auditório do Colégio conhecemos as queridas professoras Julyana, Valéria, Luciana e Patrícia, além da coordenadora Mariléia. E tome poesia, e tome cantiga de roda, e tome trava-línguas.
Concordo plenamente com o que o Rubem Alves escreveu um dia: A vida só tem graça quando brincada. E numa das muitas brincadeiras que propus, deparei-me com uma menininha adorável, de nove anos, chamada Bia (foto).
No final da nossa apresentação, a Bia me deu um abraço tão fraterno, que eu até fiquei com vontade de levar aquela bonequinha para casa. Aí, eu soube que a Bia tem uma ONG “Olhar de Bia”, com a qual ela ajuda crianças carentes. O Blog dela está linkado aí ao lado.
Ah, ainda durante o show, um menino me olhava atentamente; o nome dele é Otávio (Ele adora desenhar). Coube a ele a responsabilidade de me presentear com uma pasta repleta de poemas que os alunos dos quintos anos escreveram a partir do meu livro Poesia Futebol Clube e Outros Poemas. Gostei demais de todos e escolhi um deles, que agora eu publico aqui:
Perdidos em rimas
(Nicolle - 5º ano - turma D)
Vou pedir ao presidente que conserte o planetário,
pois as crianças precisam fazer trabalho.
Vou pedir uma pizza, com sabor de alegria,
e oferecer à professora que dá aula de anatomia.
Vou pedir um pedaço de céu, em formato de pastel,
e dar ao meu avô Manoel.
Vou pedir um violão para tocar uma canção
de aventura e de paixão.
E antes de irmos embora a Dona Dilia, a mantenedora da escola, fez questão de nos apresentar todos os cantos da sua escola que este ano completa 40 anos. Entre uma uma sala e outra, ela parava para cumprimentar as crianças com o quente sabor de ternura aos lábios dizendo a tão simples e comovente frase “eu te amo”. É assim que trata a todos, sem distinção.
No Mater Amabilis, os detalhes enchem aos olhos de quem os repara: corações espalhados no teto; na entrada de cada sala de aula, uma casinha de madeira sobre a porta; paredes grafitadas com motivos que reverenciam a infância; uma biblioteca que é um brinco; uma sala de leitura que dá vontade de morar lá; até chegarmos à sala dos brinquedos. Brinquedos do mundo todo.
Quando a Dona Dilia falou das bonecas, seus olhos encheram-se de lágrimas. Ela se lembrou da infância dura na cidade de Agudos, no interior paulista − um tempo em que ela não tinha sequer uma boneca para brincar. Mas hoje, orgulha-se do sonho que plantou no Jardim Maia e assim como o pequeno Príncipe, personagem de Antoine de Saint-Exupéry, ela sabe, como ninguém, que a gente “se torna eternamente responsável por tudo aquilo que cativa”.
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