Todo ano recebo em minha casa, em Osasco, a visita da Companhia de Reis. Isso acontece há uns quinze anos. No Brasil a visitação das casas, que dura do final de dezembro até o dia de Reis, é feita por grupos organizados, muitos dos quais motivados por propósitos sociais e filantrópicos.
Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes se compõe também de dançarinos, palhaços e outras figuras folclóricas devidamente caracterizadas segundo as lendas e tradições locais. Todos se organizam sob a liderança do Capitão da Folia e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.
No caso da Folia de Osasco acontece uma coisa curiosa: crianças, mulheres e adultos dão um colorido todo alegre ao evento. Criada pelo casal Alberto de Camargo e Regina Vasques essa Companhia percorre diversos bairros de Osasco, cruzando a cidade em todos os seus cantos, levando luz e mensagem de esperança para os lares visitados.
As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção daquelas tocadas nas tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde acontecem animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê.
Contudo ao contrário dos Reis da tradição, o propósito da folia não é o de levar presentes mas de recebê-los do dono da casa para finalidades filantrópicas, exceto, obviamente, as fartas mesas dos jantares e as bebidas que são oferecidas aos foliões.
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