Ontem à noite, eu e o Sala participamos de uma aula do Curso de Formação de Escritores, ministrado pelo professor Gabriel Perissé. Obviamente, colocamos os adultos para cantar e recitar conosco. Acho que foi bem bacana. Hoje estive no Colégio Nossa Senhora das Dores, no bairro da Casa Verde, na zona norte de São Paulo. A natureza dos dois eventos é quase a mesma, porém para públicos distintos: adulto e infantil.

Não tem como não se lembrar do maravilhoso texto O Narrador, de Walter Benjamin, no qual o autor nos alerta sobre o desaparecimento do dom de ouvir e, se desaparece, também desaparece a comunidade dos ouvintes. Mas como sou um otimista, vejo com bons olhos todo um movimento de gente séria tentando atar os fios que tecem nas pessoas a capacidade de ouvir. Para tanto, precisamos fazer alguma coisa para trocarmos de casca como, por exemplo, chegarmos ao ápice do esquecimento de nós mesmos. De acordo com Benjamin: quanto mais o ouvinte se esquece de si mesmo, mais profundamente se grava nele o que é ouvido. Quando o ritmo do trabalho se apodera dele, ele escuta as histórias, de tal maneira, que adquire espontaneamente o dom de narrá-las. Assim se teceu a rede em que está guardado o dom narrativo. Ora, quando um adulto do Curso do professor Perissé ou uma criança do Colégio que visitei hoje se encantam com as palavras assopradas por mim, isso me faz crer numa coisa só, a vida ainda carece de um gesto de emoção, e - o melhor de tudo - sinto que tem gente disposta a trocar essa casca dura do mundo real pelo barro de um mundo inventado.
Obs: nos próximos dias irei blogar as fotos da minha ida ao Colégio.
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2 comentários:
Paulo!!
Este é meu blog pessoal, onde exercito meus escreveres.
Visite-me quando puder!
Obrigadíssima pela inspiração de ontem.
E adorei o 'assoprar palavras'.
Poesia perfeita.
Cristiane Rogerio
Olá, Cristiane!
A vida só tem graça quando é inventada. obrigado pel carinho
abração
Paulo Netho
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